A negociação parecia perfeita, mas o "vendedor" nunca existiu

Ele copia fotos, rouba a descrição de um anúncio real e se posiciona entre duas pessoas de boa-fé. É assim que age o golpe do falso intermediário, uma fraude que já responde por parte significativa dos prejuízos registrados na compra e venda de veículos usados pela internet no Brasil.

Como o golpe começa

Tudo parte de um anúncio legítimo. O golpista identifica um carro à venda em plataformas como OLX, Facebook Marketplace ou grupos de WhatsApp, entra em contato com o dono demonstrando interesse e, em seguida, publica um segundo anúncio com as mesmas fotos e informações do veículo, mas com um preço abaixo da média de mercado. Essa diferença de valor é a isca: qualquer comprador que consulte a Tabela Fipe do modelo vai perceber uma oportunidade aparentemente boa demais para ser verdade.

Atenção: preço muito abaixo do valor de mercado é o principal sinal de alerta. Antes de qualquer contato, compare o valor anunciado com a Tabela Fipe atualizada do modelo.

A ponte entre duas vítimas

Com os dois lados fisgados, o golpista assume o papel de intermediário da negociação. Ao vendedor, ele diz que um parente, funcionário ou amigo vai cuidar da exibição do carro. Ao comprador, repete a mesma história. Ambos são orientados a não conversar diretamente sobre preço ou detalhes da venda — apenas com o "intermediário". Essa separação é o que sustenta o golpe: o comprador chega a visitar o carro e conversar com o dono real, sem saber que está negociando o pagamento com outra pessoa.

O golpe se fecha no Pix

Depois da vistoria, quando o comprador aceita fechar negócio, o pagamento é direcionado para uma conta indicada pelo falso intermediário — geralmente aberta com dados de outras vítimas, o que dificulta o rastreamento. O comprador acredita estar pagando pelo carro. O vendedor, por sua vez, nunca recebe nada, porque o comprador de fato nunca fechou negócio com ele. As duas partes só percebem o prejuízo depois que o golpista já sumiu.

Um problema que só cresce

Levantamentos recentes indicam que o mercado de veículos usados no Brasil registra dezenas de milhares de golpes por ano em negociações online, com prejuízos bilionários somados. Operações policiais realizadas ao longo de 2026 já desmantelaram diversos esquemas ligados a fraudes em anúncios de veículos, reforçando que o golpe do falso intermediário — também chamado de "golpe da OLX" — segue entre os mais recorrentes no país.

Como se proteger na hora de comprar ou vender

  • Desconfie de qualquer preço muito abaixo da Tabela Fipe do modelo.
  • Nunca aceite negociar com um "representante" quando o dono do anúncio original está disponível para falar diretamente.
  • Insista em conversar por telefone ou vídeo com quem está realmente vendendo o carro.
  • Confirme o recebimento do valor no próprio aplicativo do banco antes de liberar o veículo ou a documentação.
  • Evite sair da plataforma de anúncios logo no início da conversa — golpistas costumam pressionar para migrar rápido para o WhatsApp.
  • Desconfie de urgência excessiva ("preciso vender hoje", "só aceito hoje").
Dica: se dois anúncios com as mesmas fotos e descrição aparecerem com preços diferentes, é quase certo que um deles é falso. Denuncie na própria plataforma.

Comprar com mais segurança

A melhor forma de reduzir o risco é priorizar canais que verificam quem está por trás do anúncio. Plataformas, como AcheiCarros.com, que exigem cadastro de vendedores, revendas com CNPJ ativo e histórico de anúncios reduzem bastante a chance de cair nesse tipo de fraude, já que dificultam a criação de anúncios duplicados por golpistas anônimos.

Antes de fechar negócio, consulte o valor atualizado do veículo na Tabela Fipe. Aproveite também para conferir os anúncios disponíveis no AcheiCarros.com, onde você encontra veículos revisados anunciados por revendas e vendedores particulares.